Essa tal de autoestima

Hoje acordei com várias perguntas na cabeça e, pra ser bem sincera, acho que jamais encontrarei as respostas…

Que moda é essa de não mais se aceitar do jeito que você é? E pior, que moda é essa de não admitir frente aos outros que há algo em você que o incomoda?
É certo que todos temos defeitos (alguns mais, outros menos), mas nunca encontrei escrito em nenhum manual, livro de auto-ajuda ou alguma espécie de bíblia da moda que nossos pontos fracos são os que definem nosso caráter. Todavia, ultimamente essa parece ser a realidade em que me encontro.
Realidade que estipula que uma pessoa só pode conviver em determinados grupos se ela for bonita, extrovertida. Que estabelece padrões físicos sem nenhuma originalidade para homens, mulheres e crianças. Que subestima o intelectual e supervaloriza o superficial.

Será que alguém, além de mim, já reparou que as pessoas têm orgulho em dizer “eu não sou normal” ou “sou louco, fora dos padrões”? Pois é… muitos dizem, mas não é isso que encontro nas ruas.
Cadê a graça de viver numa sociedade com características múltiplas, se todas as mulheres têm como meta serem esqueleticamente magras, com seios fartos, cabelos longos e esvoaçantes e vestidas como manequins de vitrine? Qual o intuito de falar tanto em diversidade se os homens fazem uma enorme questão em se visualizar altos, sarados, com carrões, grandes propriedades e cercados de mulheres que mal sabem a definição de beleza interior para aprender a valorizá-la?

Não vou ser hipócrita e dizer que devemos esquecer das aparências, esquecer de cultivar a beleza e o bem-estar e, enfim, nos libertar de todos os paradigmas da moda. Isso é ridículo! Afinal, como eu mesma disse em um outro post, algumas mudanças devem começar de fora pra dentro e reservar um tempinho pra cuidarmos de nós sempre faz bem ao corpo, à mente e à alma.

Mas ao mesmo tempo, eu não tenho vergonha de admitir meus defeitos. Nunca fui a mais bonita da sala, a menina com os olhos claros, a menina com o corpo perfeito. Não gosto do meu nariz, não gosto dos meus pés, não é sempre que fico satisfeita com a forma que me visto.
Mas eu gosto (e muito!) do fato de conseguir encarar tudo isso com bom humor!

Um dia desses parei pra pensar e cheguei à conclusão que eu mudaria certas coisas na minha aparência sim, mas em compensação, tudo aquilo que me faz Raíssa, eu manteria.
Eu jamais mudaria minha facilidade de socializar, se enturmar. Eu até que simpatizo com meu riso escandaloso e minha forma espalhafatosa de agir. Discreta eu nunca fui e pretendo não mudar. Esse meu hábito de acordar todas as manhãs com um insuportável bom humor e exigir “Bom dia’s” em troca, apesar de ser um tanto quanto irritante, eu me orgulho de ter.
Essas e outras coisas são o que me tornam única. Graças ao meu jeito de ser eu consegui conquistar o que conquistei: meus amigos, a união com a minha família e uma vontadezinha de continuar e melhorar a cada sol nascente!

Queria ter a capacidade de pedir àqueles que me cercam que fizessem o mesmo: olhe para o que você é interiormente. Por um segundo, esqueça da sua aparência, das coisas que não te favorecem e passe a analisar seu caráter, sua índole e o que você conseguiu conquistar sendo assim. Mas eu sinceramente não sei como eu cheguei a essa reflexão, não sei mesmo. Acho que foi o excesso de negatividade que me cansou e eu passei a buscar incessantemente alguma forma de enxergar mais coisas boas em mim e nos outros. E funcionou!

Eu poderia passar horas e horas listando todas as coisas incríveis que eu vejo em cada um que convive comigo, e nossa, seriam muuuitas coisas! Mas tenho certeza que é muito mais gratificante quando você não precisa ouvir de ninguém o que é admirável no seu eu e consegue descobrir sozinho.

Ontem, eu estava assistindo a um programa chamado “The Glee Project” e, pra’queles que não sabem, um brasileiro está participando da competição. O nome dele é Matheus Fernandes e ele definitivamente não se encaixa nos padrões de beleza que a sociedade estipula (os mesmos padrões que citei alguns parágrafos acima). Mas a primeira impressão que ele me passou foi que, não importa o que os outros digam, ele se aceita do jeito que é, e o melhor, se orgulha muito disso.
Taí um exemplo da animação do garoto:

Esse vídeo também serve de exemplo pra todo esse monte de baboseira que eu falei, veja só: no final da apresentação, um dos jurados perguntou: “Você se acha sexy?”. Matheus ficou meio acanhado em admitir, mas ficou óbvio que ele se acha “O cara”. Ele deu uma leve enrolada e no final, não chegou a lugar nenhum. Então, o mesmo jurado disse algo mais ou menos assim: “Seria muito melhor se você tivesse dito que se acha sexy, pois é disso que precisamos. Alguém com 1,46m que enxerga o grande homem que tem dentro de si. É sobre o isso que o programa fala e é sobre alguém assim que eu gostaria de escrever.”

Isso só comprova que a sua autoestima depende do que você é e não do que os outros querem que você seja. Se aceitar, se amar e se orgulhar das suas qualidades, dos seus defeitos, dos seus erros e acertos só depende de uma pessoa e eu acho que já ficou bem claro quem é!

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2 opiniões sobre “Essa tal de autoestima

  1. Muito bom, Ra *-* Eu concordo plenamente com você, de verdade.
    Eu também tenho lá meus problemas comigo mesma (não são poucos, haha), mas quando eu penso que existem pessoas que gostam de mim como eu sou, me sinto melhor. E é o que realmente importa.

    Isso me lembra uma música cantada pela Christina Aguilera, “Beautiful”, especialmente aquele trecho: “You are beautiful, don’t matter what they say (…)”… *-*

    Enfim, lindo texto!

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