“Tic-tac. Dia e noite, noite e dia. Tic-tac”

Acho engraçada a forma que meus pais articulavam sobre o tema “o tempo voa”. Na verdade, achava. Aquela história que depois de uma certa idade, o passar dos anos se torna praticamente imperceptível não era exagero, mas ainda assim, gozada.

A Terra ainda leva 24 horas para dar uma volta em torno de si própria, não é? E 365 dias para fazer o mesmo percurso em volta do sol, certo? Não há explicações muito plausíveis para dizer o porquê do tempo passar mais rápido.

Se há justificativas ou não, o fato é que passa. Corre. Voa.

Ano passado eu estava me sentindo gente grande por comemorar meu 6º aniversário, até um sapatinho de salto eu pude usar. Imaginem só a moça que eu era!
Mês passado eu descobri a tal da paixonite aguda e senti borboletas no estômago ao pensar no meu primeiro beijo.
Semana passada minha formatura era a comemoração da noite e ir para o Ensino Médio realmente me parecia o ápice da responsabilidade.
Anteontem foi meu primeiro dia no meu primeiro emprego. Aí sim era certeza que não havia mais evolução pra acontecer, afinal, eu já podia pagar pelo meu próprio chocolate!
Esta manhã fui acordada com uma canção de feliz aniversário, presentes e abraços da minha família e um singelo recado de “Não apronte, você já pode ser presa!”.

E agora estou aqui. Enquanto os minutos correm, a vida passa e o tempo voa, eu escrevo. E penso que a vida foi e está sendo um grandioso clichê. Tudo ocorreu exatamente como todos esperavam e isso não parece o tipo de coisa interessante para se contar aos netos. Falta um pouquinho de surpresa, um pouquinho de aventura, um pouco mais de coragem e muito, muito tempo para se recuperar!

Aqueles amigos que, 12 anos atrás, compartilharam comigo um bolo de aniversário, eu já nem vejo mais. Posso contar nos dedos de uma mão os que sei por onde andam, se ainda vivem.
O primeiro que despertou minha atenção e roubou meus inocentes olhares apaixonados viveu a vida intensamente demais. Tão intenso que é até difícil suportar a idéia que o tempo não só passa, transforma vidas. Hoje seus olhares são tão perdidos quanto os meus um dia foram, a diferença é que eu brinquei com paixão e ele, com ilusão.
Meu primeiro dia no primeiro emprego já passou. Assim como o segundo, o terceiro, o quarto…O próprio emprego já passou e tudo o que eu queria era ter que pagar somente pelos meus chocolates.
A única coisa que continua são meus 18 anos, minha juventude e a vontade de mudar enquanto há tempo. Eu olho pra trás como se pouco tempo tivesse passado, mas muito mudou.

Por enquanto eu sigo vivendo. O ponteiro do relógio segue girando. As pessoas seguem reclamando.
No próximo amanhecer muitas crianças farão seis anos, muitas paixões irão nascer, muitos conseguirão seu primeiro emprego, a maioridade chegará para uns e passará voando para outros. O essencial é que vejamos o futuro repetir o passado, um museu cheio de novidades, que o tempo não pare!

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7 opiniões sobre ““Tic-tac. Dia e noite, noite e dia. Tic-tac”

  1. Adorei o texto amiga…
    Acho que você tirou suas próprias conclusões sobre ser bom ou mau o tempo passar de pressa.Caso ainda não tenha visto meu comentário essa foi a minha resposta: “É uma coisa boa amiga, significa que as coisas acontecem no tempo certo, que elas tem o encaixe perfeito, que é moldado através do tempo.”
    è bom ver você escrever de novo, já estava com saudades.

  2. Olha eu aqui retribuindo a visita..hehe..Realmente, o tempo é fogo, ele passa com uma rapidez tão incrível que a gente nem percebe. Por isso não é bom a gente ter pressa, pois a gente não aproveita as coisas boas da vida e fica frustrado por isso depois. Pode parecer dramático, mas o tempo pode muito bem ser uma faca, que corta nosso peito e deixa uma marca para sempre…

    Muito bom o blog, Rá..

    Parabéns

  3. “Eu vejo o futuro repetir o passado e suas ideias não correspondem aos fatos, o tempo não para…”

    O tempo não para nem um segundo. Ontem eu tinha soprado minhas velas de 18 anos, e ja to pra fazer 20. Se prepara que depois dos 18 vooooooooooa.

    Adorei o texto!

  4. Outra vez eu assistia um vídeo da Adriana Calcanhoto, e ela disse uma coisa não muito modesta, mas que eu achei legal e me lembrei agorinha mesmo, lendo o texto.
    Era algo como “às vezes eu ouço uma música muito boa na rádio e penso, ‘poxa, eu queria ter sido a compositora dessa’. Depois vem outra muito boa… e agora sou.”

    Trabalhando nas festas infantis, eu via umas crianças alegres e espertas com os seus 7 anos e pensava “caraca… esse menino nasceu por volta de 2003… e naquela época eu já ia ao estádio sozinho! Meu Deus.. a vida toda dessa pessoa se passou nesse tempo.. que parece ter sido tão pouco…”

    Tempo é bicho complicado…
    Aquele “agorinha mesmo” que escrevi lá em cima, veja só! Já está há uns 30 segundos de nossa vivência presente!
    Ao menos podemos relê-lo, coisa que o tempo não nos permite com aquilo que realmente gostaríamos de reviver…

    Próximo à casa em que morava uma grande amiga minha, havia uma placa de madeira em um jardim, onde estava talhado o seguinte texto:

    “Tanto tempo já passei
    sem se dar conta do tempo
    E agora que faço conta
    Já não tenho tanto
    tempo.
    Tempo perdido em vão
    Tempo que o tempo não traz
    Como chuvas de verão
    Tempo que o tempo
    Desfaz.”
    M.A.S

    Orgulho de fazer parte da rede de amizades da autora.
    Muito.

  5. Como vc consegue me dar uma lição de moral em todos os seus textos? Já tô pegando mal já hein….
    Garota, esse post foi simplesmente sensacional. Parabéns MESMO.
    Curti, retweetei, tá no favoritos xD

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