Tá faltando. Tá doendo. E eu naõ sei o que é.

Sono. Muito sono.

Está escuro, o dia nem deve ter amanhecido ainda. Devo alcançar o celular para ver as horas, mas esticar o braço me parece uma atividade muito penosa. Além disso, a iluminação da tela irá me causar uma cegueira instantânea bem capaz de tirar o possível bom humor matinal.

Movimentar-me é necessário. Não posso correr o risco do atraso iminente.

Rendição. Destrambelhadamente tento agarrar o celular, mas ele cai em meio as cobertas e fica mais difícil ainda achá-lo. Finalmente consigo me situar, ainda estou no horário.
Mas peraí! Horário de que? Ultimamente nada tão importante exige que eu “caia” da cama. Não que não falte vontade.

Se eu quiser, posso ficar mais uma, duas, três horas deitada só pensando na vida ou simplesmente torcendo para que o sono volte. Mas caramba! Ultimamente não há nada tão interessante ou instigante que me faça pensar por tanto tempo!

Ok, se é assim que tem que ser, eu me levanto. Aproveito a proximidade e ligo o computador para checar as tarefas do dia, antes mesmo do café da manhã. Sei que tenho pouca coisa para fazer hoje, mas quem sabe não há uma ou outra mensagem que eu gostaria de responder. Opa, calminha aí! Ultimamente ninguém tem me mandado mensagens tão dignas de serem respondidas ansiosamente, daqueles que o coração até bate mais forte ao ler, que dão vontade de ligar correndo pra melhor amiga só pra compartilhar uma meia dúzia de palavras lidas.

Quer saber? Deixo o computador de lado e rumo à um bom café da manhã. Ou um razoável. Melhor eu tomar só um leitinho e decidir o que faço depois.

O dia passou. As tarefas foram concluídas e continuo com o mesmo ânimo com o qual acordei: nenhum.
Se tudo estivesse normal, essa hora eu já estaria bocejando e clamando pela minha cama. Mas não, eu sequer tenho vontade de piscar vagarosamente.

Arrumo as cobertas e o travesseiro. Ligo a tevê num canal qualquer e a programo para desligar em 15 minutos. Espero já ter adormecido até lá, tenho preguiça de religar, por mais que me falte sono…

Sono. Muito sono.

Está escuro, o dia nem deve ter amanhecido ainda. Devo alcançar o celular para ver as horas, mas esticar o braço me parece uma atividade muito penosa. Pra piorar, uma voz grita. E grita muito forte! Ela só diz o que eu já estou cansada de saber. Fala das coisas que preciso buscar, mas me falta coragem.

Meu Deus! O que aconteceu comigo? Não me reconheço mais! Sei que falta algo, sei que devo lutar por isso, sei que devo mudar, mas não encontro a audácia necessária. Nem sei direito por onde começar.

Ironicamente, abro meu caderno de poesias e me deparo com o que eu mais temia: a bendita voz tem aliados. Essa conclusão ficou óbvia ao ter que começar o dia lendo:

“Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.”

É Carlos, vamos!

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5 opiniões sobre “Tá faltando. Tá doendo. E eu naõ sei o que é.

  1. “Eu não queria estar assim.
    Eu sou tão melhor de outra maneira… e fico aqui, nesse estado.
    Nem bem sei se tenho o poder de mudar isso apenas pela força da vontade.
    Mas, mesmo que tenha, pouco seria-me útil.
    … pois nem a minha vontade tem forças, agora.”

    É Carlos… vamos!

  2. Nossa, nunca li um texto que se encaixasse exatamente no momento em que passo! Estou precisando dessas mesmas vozes, e que esse Vai Carlos, seja uma ordem própria e não de um anjo torto.
    Obrigado pelo texto 😉

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