Quando não dá vontade de fazer a diferença

Há alguns anos atrás eu decidi: só acordarei se for pra fazer a diferença na vida de alguém. Desde então, adquiri um outro objetivo de vida.

Entretanto, nem sempre o mundo colabora. Alguns dias nem minha própria mãe entende minhas reclamações fajutas, nem minha melhor amiga ri de um comentário que só nos duas entenderíamos e as pessoas da rua tendem a me olhar com cara feia quando tropeço e resolvo lidar com meu próprio mico de forma bem humorada.

Me acostumei com afagos, me acostumei com risadas e piadas internas , me acostumei com olhares divertidos que compreendiam que eu jamais serei tão equilibrada quanto outros seres humanos.

Aí surge um dia daqueles bem nebulosos, em que você ouve o despertador e pensa “Nem eu sei porque estou me levantando!”, e confesso, quando eu penso isso logo às 5h da manhã, é sinal de que 24h conturbadas e repletas de crises estão esmurrando a porta pra poderem adentrar na minha mente sem esperanças.

Felizmente, faz tempo que não recebo essa indesejada visita. Mas sinto que ela já está virando a esquina de casa com seus derradeiros pressentimentos ruins. E o pior de tudo é que eu sei o motivo dela estar tão perto: são as pessoas.

Resumindo, as pessoas estão aí pra me tirar a vontade de fazer a diferença. E elas conseguem!

Obviamente, não são todas as pessoas, e por isso, galera que ainda ri dos meus tombos no meio da rua, saibam que eu ainda aprecio essa compaixão bem humorada de vocês!

Porém, ainda restam as opiniões não ouvidas, as considerações inexistentes, as competições avassaladoras e o arrebatador egocentrismo. Daí meus caros, quando eu só consigo enxergar individualistas e nada mais que individualistas na minha frente, perco toda e qualquer vontade de mudar aquilo que está ao meu alcance.

Por alguns segundos, perco até a noção de que eu ocupo um lugar relevante no mundo e deixo de prestar a atenção até em velhinhas que, em busca de um pouco de atenção, puxam papo comigo no ônibus e discorrem sobre sua vida durante 10 minutos ininterruptos sem obter a minha parcela de preocupação.

Mas admito, o real motivo de eu ter escrito esse texto é pra que eu sempre possa relê-lo quando minhas esperanças mundanas estiverem ruindo, e também, pra que eu me lembre que há muito mais fazedores-da-diferença do que individualistas no meu universo e que por eles vale a pena acordar com um sorriso sincero no rosto e minha eterna falta de equilíbrio.

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3 opiniões sobre “Quando não dá vontade de fazer a diferença

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