2012: te amei, hoje uso agenda

Foi demais. E digo isso porque aprendi com o tempo a valorizar absolutamente tudo o que eu vivo, seja bom ou ruim. E ‘você’ me ensinou que até os piores acontecimentos são males que trazem o bem. Do pouco bem que me trouxe, a maioria deles foi tardio, sofrível. Desde o começo foi tortura, desde os primeiros dias foi quase tudo pura angústia. Quase nenhum mês me permitiu sorrir por completo enquanto estivemos juntos, mas não sou ingrata e não me desfaço dos sorrisos como se nada tivessem valido.

Ao longo desse tempo, ‘você’ me ajudou a perceber que tem gente que é mesmo pra sempre; que se as coisas demoram, elas têm um motivo muito plausível pra não acontecer de imediato; aprendi que é muito bom sentir-se feliz com as conquistas alheias e melhor ainda poder compartilhar aquelas que antes eram só um bando de sonhos conjuntos. ‘Você’ me fez entender que eu não vou ser capaz de mudar os pensamentos e sentimentos das outras pessoas em relação a mim, mas também mostrou que nem sempre eu sou a responsável por tudo isso.

Sem dúvida, sempre que pôde, ‘você’ levou um pouquinho da minha doçura escassa, mas em compensação, me trouxe aquele tantinho de paciência que me faltava pra viver quase em paz, mesmo em tempos de caos. E aquela ansiedade, hein?! Obrigada por ter me feito esperar tanto, tanto, tanto pelas coisas que sempre quis a ponto de vencer pelo cansaço até aquela minha alergia…

Engraçado como ‘você’ foi controverso: no começo éramos neutros, típico de quem está só se conhecendo; depois foi guerra, choro, decepção e um pouco de bebedeira demais pra tentar te superar; mas bem que soubemos nos dar um pouquinho melhor nesse final, não é? Que digam o que quiserem, mas eu aproveito minha vida da forma que me convém e, vamos combinar, a gente nunca daria certo! Então o que custava ser levemente inconsequente nessa relação de rápidos meses?

Apesar de tudo, ainda sou muito saudosista e vou sentir falta de alguns dos seus dias memoráveis. Mas, acima de tudo, sou curiosa e mal espero pra poder viver o que você não me permitiu, nem me deu tempo. Obrigada pelas descobertas, pelas tempestades e pelos poucos e valorizados dias de calmaria. Apesar dos grandes detalhes, esses nossos meses até que foram bons, mas minha superstição escreveu tua sina desde sempre: 2012 é ano par, não há de se esperar muita coisa, afinal. Eu cresci bastante durante estes nossos meses, mas – desculpe-me pela sinceridade – já cansei de ser gente grande!

Deixa 2013 chegar e trazer consigo as agruras de sempre e as renovações que ando precisando. Vá e não deixe marcas, pois quando seu último minuto acontecer, eu quero só me preocupar com os anúncios brilhantes do teu sucessor explodindo no céu. E nada mais! Pra mim já é ano novo, pois não há mais espaço pra Ano do Dragão no meu calendário.

Enfim, parafraseando os pichadores de muro dos anos 80: “Te amei, mas hoje eu uso agenda.”

new year

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5 opiniões sobre “2012: te amei, hoje uso agenda

  1. Bem, parece que o sentimento que 2012 foi ruim é geral. Que bom, e mal, que não estou sozinha nessa. E todos querem que 2013 seja melhor, então os esforços pra isso dar certo serão maiores.

    VEM 2013.

    PS: Não tenho outro blog, é o mesmo, mas eu mudei a URL e o Layout

  2. Eu fui tentando copiar uns trechos pra usar no comentário, sabe? Os que eu achei ridiculamente expressivos e lindos. Mas aí fui copiando um sobre o outro, sem parar, pelo menos dois por parágrafo e… percebi que é o texto mais lindo que eu já por aqui – e olha que a concorrência é alta.

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