Com amor,

Quero pegar um papel bonito com alguns desenhos nas extremidades, alcançar uma caneta preta pra não escapar dos clichês, rabiscar teu nome na primeira linha com os mais belos traços que eu saiba fazer e me declarar. Eu quero escrever uma dessas ridículas cartas de amor.

Eu quero que ela seja a mais ridícula de todas as cartas de amor já escritas. Quero que cada parágrafo arranque um sorriso dos teus lábios e quem sabe até algumas lágrimas dos teus olhos.

Quero escrever uma carta e finalizá-la desenhando alguns corações tortos, pra não fugir muito da realidade. Quero que você se sinta mal por não conseguir escrever nem um quarto de todo o sentimento que eu soube transformar em palavras. Quero que você ame a minha carta também.

Quero que você saiba reconhecer o aroma do meu perfume e – por que não ser mais cafona? – a cor do batom que eu usei ao imprimir a marca dos meus lábios no papel. Quero uma caixa no teu armário reservada só para mim e para minhas cartas. Porque eu quero escrever várias.

Quero dizer coisas que só nós dois entenderíamos. Compreender o sentido dos poemas mais subjetivos e tomá-los como maior inspiração. Quero assinar meu nome e, numa observação, te prometer dezenas de milhares de outras cartas, mais antiquadas e mais apaixonadas que a atual.

Mas antes disso, quero – e preciso – que você me ensine o que é essa coisa toda de amar.

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